quinta-feira, 24 de junho de 2010

Santa Rita de Jacutinga – MG

.
Este mapa pode ser baixado em alta no fim deste post
 

Aproveitando o jogo do Brasil pela copa do mundo na sexta, matamos a quinta e criamos nosso feriado prolongado, para conhecer Santa Rita de Jacutinga, a cidade das cachoeiras.
Fugimos das orientações de trajeto, e seguimos direto do Rio para Volta Redonda, pela Dutra. Lá pegamos a RJ153, com destino a Amparo. Depois de Amparo chegamos a Santa Isabel e pouco após , já em estrada de terra, chegamos a Jacutinga. Esta rota economiza 50 km em relação a outra opção, que passa por Barra do Piraí, Ipiabas e Conservatória.
Em breve o trecho em terra batida vai estar asfaltado. O trabalho está bem adiantado.
Chegamos a Jacutinga ainda pela parte da manhã. Ficamos hospedados na Pousada “O Meu Canto”, diária de 80,00 com café incluído. Fomos muito bem recebidos pelo Sr. Geraldo, que com sua calma mineira, nos passou todos as dicas para conhecer os principais atrativos da região.
Detalhe importante: não fique nos quartos da frente! A rua é muito barulhenta e bem cedo (madrugada) já começa a receber os caminhões de leite que vem transferir sua carga.  Mais detalhes da pousada você pode obter no link no fim deste post.
Nosso primeiro objetivo foi conhecer a Cachoeira do Boqueirão da Mira, passando pelo lugarejo chamado de Cruzeiro e pela Cachoeira dos Meirelles.
Até o Boqueirão, são 17 quilômetros de terra em condições razoáveis, levando em conta um Celta, rodando 70% do tempo em 3 marcha.
No km 15, chegamos a Cruzeiro, onde fizemos um pit-stop no Restaurante e Bar Camisa 10. Lá fomos muito bem atendidos pela D. Lúcia e sua filha. Enquanto tomávamos uma cerveja bem gelada, ela nos mostrou a coleção de troféus do Cruzeiro Futebol Clube, que fica exposta para quem chega.
Capela e Bar em Cruzeiro









Pegamos algumas orientações e seguimos para a cachoeira do Meirelles, 1km adiante. Acertamos quase que no cheiro o lugar certo, portanto, procure obter todos os detalhes possíveis nestas orientações.
Cachoeira do Meireles








Mais 1 km adiante, paramos o carro e iniciamos nossa trilha até o Boqueirão da Mira, o ponto alto do dia.  A dica mais objetiva foi a descrita pelo Sr. Geraldo. Seguir a trilha com o rio a sua direita. Na ponte de cimento, atravessar e passar a subir a trilha com o rio a sua esquerda. Quando cruzar a porteira, não se assuste com o alerta de GADO BRAVO. Na verdade são muito dóceis. Quando eles percebem a nossa presença, se deslocam rapidamente em direção ao cocho(comedouro) na expectativa de que vão receber  alguma ração. Na dúvida, pegue um galho grande e use para espantá-los.
Depois de 2 kms de trilha leve, chegamos a entrada da mata. Com mais 60 metros, atinge-se o poço principal do boqueirão, com as duas paredes de pedra separadas pela água e pelo vento. Um lugar ímpar. Mesmo no inverno mais rigoroso, vale a pena dar um mergulho.  No fim deste post, deixei o link para as marcações que fiz no GPS durante este dia.
Porteira e ponte de cimento ao fundo. Detalhe da trilha.
  








Poço do Boqueirão
 
 

Nesta mesma noite fomos passear a pé pela cidade. Passamos pela velha estação ferroviária, deixamos reservados alguns queijos na Casa do Queijo (tudo de bom), subimos a rua em direção a Igreja da Matriz no alto e retornamos  por entre ruas e becos até a pousada, onde fechamos a noite comendo pão com queijo e um bom vinho.
 
Depois do café da manhã, tomamos as referências para conhecer A Cachoeira do Pacau, passando pela Cachoeira Vargem do Sobrado e pela Cachoeira do Mendonça.
E lá fomos nós. Nada a reclamar da estrada. No km 12 saímos a esquerda e rodamos 1km até a a Cachoeira Vargem do Sobrado. Em se tratando da primeira cachoeira do dia, gostamos muito.
 
Cachoeira Vargem do Sobrado

Retornamos para o asfalto e no km15, passamos pela Cachoeira do Mendonça quase sem parar. Ela fica aprisionada embaixo da ponte que dá continuidade a estrada. Uma pena. Vale parar e observar a queda d´água.
Cachoeira do Mendonça

Mais 3,8 kms, você deve ficar atento a sua direita e parar o carro no mirante de terra batida. É a melhor visão da Cachoeira do Pacau, para quem não quer descer a trilha.
Vista do mirante da estrada

Subindo mais 1,5 km você chega na ponte logo acima da Cachoeira do Pacau. Você vai notar o rio vindo da esquerda e passando por baixo para descer a serra. Há uma saída a direita, onde você pode parar seu carro. Siga a pé nesta saída uns 10 metros e vai achar a esquerda a entrada da trilha. É uma descida íngreme, mas cheia de galhos e pequenas árvores para se apoiar. Serão várias as oportunidades para boas fotos, já que a trilha acompanha a queda. Atenção para não vacilar ao pisar nas pedras, que ficam molhadas o ano inteiro. Dependendo de sua vontade e condição pode chegar até a base. Existe outro acesso pela ferrovia do aço que passa próximo a entrada do túnel 43 (o maior da américa latina), mas que não pude tentar.
A entrada da trilha fica bem ao lado da pedra.
 









Vistas da cachoeira durante a trilha.
 

Seguindo mais 1 km adiante, saia a esquerda e rode mais 1 km em terra, até um Trutário e Pesque-Pague muito agradável. O pesque-pague funciona todos os dias e o restaurante somente aos fins de semana e feriados

Trutário e Pesque-pague

Para quem começa cedo o dia sobra tempo. Retornamos a Jacutinga e pegamos as referências para conhecer a Fazenda Santa Clara e almoçar no restaurante do Duque (comida mineira, uai). Por sugestão do Sr. Geraldo da pousada, saímos pelo portal da cidade, como que retornando para V.Redonda e antes da ponte da divisa com o Rio, saímos a esquerda em direção a Rio Preto. Esta estrada é muito melhor que a outra opção subindo em direção ao Boqueirão. Percorremos uns 15 km margeando o Rio Preto, até avistarmos a fazenda. A saída é a esquerda. Mais adiante cruzamos uma ponte por sobre o rio e subimos até a entrada principal, onde fomos recebidos pela Dona Adélia, uma das proprietárias e guia da visitação. A taxa foi de R$ 7,00, que valem a pena por conta das histórias que ali se passaram.

Fazenda Santa Clara
 








Dentre as histórias que mais nos impressionou, além de conhecer as práticas de tortura e castigo impostas aos escravos, foi a de que ali não se produzia café como sustento e sim era uma fazenda de reprodução de escravos. As meninas de 12 anos procriavam a cada ano, até que ficavam impróprias ou morriam.
Outra história foi a de que o Barão de Monte Verde deixou sua esposa presa por 36 anos no andar superior da casa por ser ela infértil. Contudo morava na fazenda um padre que dividia o mesmo corredor com o tal Barão. Quando morreu, a baronesa assumiu o comando até sua morte.
Fora estes aspectos, pudemos conhecer parte da engenharia usada na construção e hábitos da época.
A fazenda conta com 365 janelas (hoje muitas são falsas), 52 quartos e 12 salas que não estão abertos a visitação. Banheiros?? Somente um que ficava do lado de fora, conhecida como casinha.
Sem condições de manter e preservar a fazenda, os atuais proprietários, herdeiros do Coronel João Honório, a vendem para um empresário alemão. Num futuro deve ser reaberta como museu histórico e hotel fazenda. A internet está cheia de outros “causos” sobre o lugar.
Fotos do interior da casa da fazenda









Fome. Já era mais que hora. Fomos ao restaurante do Duque, logo na saída da Fazenda e lá nos fartamos com uma boa comida mineira, muito gordurosa por sinal, mas bem servida e barata.
 
De volta a Jacutinga, aproveitamos o dia para fotografar a cidade e participar da Festa Junina organizada pelo colégio municipal.
Igreja da Matriz e o prédio da Velha Estação
 










Casario e o antigo túnel da ferrovia
 










No dia seguinte, tentamos acesso a Cachoeira do Sô Ito, a 3 km do centro, mas demos de cara com a porteira trancada. Perguntamos quem tinha a chave, mas essa pessoa não estava disponível. Fomos informados que as visitas ali, só com marcação prévia por telefone. Não há alguma ilegalidade nisso??
Enfim, deixamos Jacutinga e tomamos o caminho para Conservatória e Barra do Piraí, nossos próximos destinos.
Seguimos até Amparo e de lá viramos para Conservatória, rodando mais 30 km em terra razoável, pela bela Serra da Beleza.
Igreja N.S. do Amparo em Amparo
Serra da Beleza
Em Conservatória fizemos uma parada para reativar áreas de memória que estavam adormecidas desde a última visita (+ 20 anos). É uma cidade sem atributos de natureza exuberante, mas muito aconchegante. Foi toda reprogramada para o turismo, com muitos restaurantes, lojas e opções de hospedagem. Pelo que pudemos observar, o turismo da “melhor idade” é o carro chefe em Conservatória.
 
Deixamos Conservatória, passando por Ipiabas (veja post anterior) e de lá seguimos para Barra do Piraí, onde fomos conhecer a Fazenda Ribeirão. Não entre em Barra do Piraí. Quando atingir a BR393, vire no sentido de Vassouras e após 6 kms, antes da ponte que cruza o Rio Paraíba do Sul, você vai ver a placa da Fazenda Ribeirão a sua esquerda. Siga por terra uns 2 kms e vai chegar ao portão principal. Típico hotel fazenda, com cavalos para montaria, charretes, lagos, restaurantes, muita área verde, pista de pouso e hangar para pequenas aeronaves, animadores e padrão hoteleiro muito bom. Nada que nos faça retornar. Nossa praia é outra.
Fazenda Ribeirão











Links
 
 
 
 
 
.

BlogBlogs.Com.Br