sábado, 20 de fevereiro de 2010

Caraíva – Trancoso – Porto Seguro - Bahia

Voltando para a Bahia, desta vez o objetivo foi Caraíva, uma localidade plantada no encontro do Rio Caraíva com o mar ao sul de Porto Seguro, onde tudo gira em torno do movimento das marés, do sol e do vento.

Pousamos GOL em Porto Seguro. Seguimos direto para a balsa, com destino de Arraial da Ajuda. Pensávamos em seguir para Caraíva de van ou no ônibus da Águia Azul. Contudo, os índios Pataxós haviam bloqueado a estrada, logo na saída de Arraial, em repúdio a atividades da polícia civil contra um índio, aparentemente envolvido com tráfico de drogas.

Hora de contornar a situação com criatividade e dinheiro. Negociamos uma Kombi para nos levar a Caraíva por um caminho alternativo, conhecido como “atalho” pelos locais, que passa pela Praia da Pitinga e segue por terra, com muitas subidas, desvios e pontes, bem difíceis de percorrer. Por sorte não havia chovido no dia anterior a nossa chegada. Fiz as marcações com meu GPS (arquivo no final do post) para utilizar no futuro, porque fiquei sabendo que, com freqüência, os índios bloqueiam a estrada. Caraíva é daqueles lugares que devemos voltar com mais calma. A propósito, a negociação ficou em R$ 230,00.

Após mais de uma hora de estrada, chegamos ao Rio Caraíva, para pegar a canoa que nos deixaria do outro lado, ao custo de R$ 2,00 cada. Mais 700 metros pisando descalços na areia,  entravamos em nossa pousada, a Cores do Mar. Nosso apartamento, de frente para o mar, saiu por R$ 140,00 o casal, completo + café da manhã. Fomos recebidos pelos proprietários, Maria e Nengo. Nada a reclamar sobre a pousada. Muito limpa, agradável e com um café espetacular. Aproveitamos o resto do dia para andar pela praia e planejar o dia seguinte. Jantamos no recomendado restaurante Culinária Central, logo atrás da pousada que também passamos a recomendar. Excelente comida, incluindo o saudoso feijão com arroz e salada.

Travessia de canoa no Rio Caraíva

Canoas Canoas2

Pousada Cores do Mar

Cores1 Cores2

Iniciamos nosso segundo dia com o tradicional passeio de bóia pelo rio Caraíva. A Maria da pousada chamou o Nandi, para fecharmos o passeio. Como ela mesma disse, o Nandi era um orientador de turismo menos “ruidoso” que os demais. De fato, foi muito atencioso, educado e interessado em nossa satisfação e não somente em nosso dinheiro. Na Bahia, os baianos não olham para seus olhos antes de seus bolsos. Levem isto a sério. Eles vão dar a volta em você na primeira oportunidade.

Fechamos o passeio de acordo com a vazante do rio, já que voltaríamos para a base de bóia. Pegamos o barco a motor  para subir o rio. Nosso piloto foi o Tigê, índio Pataxó muito simpático, que mostrou o rio na visão do nativo. Subimos o rio até deixarmos o manguezal e entrar na área de floresta atlântica. Decidimos subir mais um pouco, até um desvio artificial construído por escravos, para diminuir o tempo de escoamento das toras de madeira. O conhecimento do Tigê sobre plantas e ervas mais a história de seu povo, completou o passeio. Retornamos até a Prainha para iniciar nosso retorno de bóia. Descemos o rio por mais de hora, desfrutando de muita paz e calma, aproveitando para observar as margens com mais detalhe. O fluxo da maré vazante era bem lento. Muito agradável. Já quase chegando ao destino, fizemos uma parada na margem esquerda e subimos uma pequena trilha até o mirante chamado de Varandão, onde se pode avistar a cidade de Caraíva quase por completa. Leve dinheiro para tomar uma cerveja no restaurante. Boiamos até a base das lanchas, onde se encerrava o passeio. Custo R$ 35,00 cada. O passeio de bóia sem a subida extra  de rio que fizemos sai por R$ 20,00 cada.

Rio Caraíva e passeio de bóia

Boia1 Boia2

Boia3 Boia4

Aproveitamos a carona na lancha do Tigê e saltamos na margem esquerda do rio, para andarmos pela praia até um local chamado de Lagoa do Satú. Num percurso de 4 kms pela praia, chegamos a um braço de mangue de águas muito quentes, que é chamado de lagoa. Vai entender porque?? Parece que Satú é o nome de um dos proprietários daquela área!! Enfim, valeu pelo passeio. O azul do mar neste dia estava especial, e o sol também.

Lagoa do Satú

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Jantamos no restaurante chamado de Mangaba. Outra recomendação que também repassamos. Além da boa comida, a atenção dispensada a nós foi de notar. Claro que o fato de não viajarmos em alta temporada facilita esta dedicação, mas preferimos acreditar que eles são de fato muito atenciosos.

Nosso terceiro dia estava decidido. Praia do Espelho. O Nandi nos encontrou no café da manhã, para nos acompanhar até o embarque no cais. Pegamos o barco Água Marinha, comandado pelo marinheiro de convés Neves. Ao preço de R$ 50,00 cada, seguimos de barco até a praia do Espelho, passando antes pelos arrecifes de Tatuaçu para mergulho de observação. Com a maré ainda alta, a lâmina de água tinha mais de 2 metros, dificultando em muito a visão dos corais e dos peixes. Sem muito o que ver, seguimos então para a praia do Espelho. Muito bonita, com destaque para as falésias de areias coloridas e a cor do mar de águas mornas. Depois de muito andar e nadar, retornamos a Caraíva. Percurso de 40 minutos de navegação costeira com a companhia de dois golfinhos num momento muito rápido.

Praia do Espelho

Espelho2 Espelho3
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Depois do banho de água doce, saímos para andar até a parte alta de Caraíva, para conhecer a igreja local, cujo padroeiro é São Sebastião. Jantamos novamente no Mangaba.

Igreja de Caraiva e piso de areia

Igreja Caraiva Cidade Caraiva

Para o quarto dia programamos ir até a Ponta do Corumbal. R$ 60,00 cada. Como o grupo era praticamente o mesmo, nós alteramos a ordem das coisas, e de acordo com a maré, invertemos o andamento. Fomos primeiro conhecer a praia e a restinga, para depois então ir mergulhar nos arrecifes de coral Corumbal, já com a maré bem baixa.  No caminho, tivemos uma bela vista do Monte Pascoal. A praia de Corumbal nos pareceu muito mais bonita que a do Espelho, a despeito dos rankings patrocinados pelas revistas de turismo. A ponta de areia que cresce em direção ao mar, conforme a maré desce, é o ponto alto. Boa estrutura de apoio, com pratos muito bem servidos. Lá comemos ostras recomendadas, que acabavam de chegar e um peixe chamado de Budião, que pudemos ver aos cardumes no mergulho dos arrecifes. Voltamos no fim da tarde para Caraíva, num percurso de 50 minutos de navegação costeira, com algum balanço extra, conduzidos outra vez pelo Neves, na mesma embarcação.  Se você passa mal no mar, tome um comprimido de Dramin meia hora antes da saída pela manhã e passe o resto do dia concentrado no passeio e não no mal estar.

Repetimos o jantar no Culinária Central, variando o cardápio.

Ponta do Corumbal

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Corumbal3 Corumbal4

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Nosso quinto e último dia em Caraíva foi dividido em remar um caiaque duplo pelo Rio Jambreiro, que deságua no Caraíva (R$ 15,00 a hora). Por ser bem estreito, permite observar a vida do manguezal com muita facilidade. E depois mais um mergulho nos arrecifes de Tatuaçu, desta vez no horário correto. Pegamos uma lancha pequena e saímos para o mar com o Nandi e o Neves, que sabia com precisão os melhores pontos para observar os corais e a vida marinha dali. Algumas tartarugas marcaram presença também. A variedade de peixes no arrecife era grande, mas os Budiões eram a maioria.

Caiaque no Rio Jambreiro

caiaque1 caiaque2

Retornamos a pousada e fechamos as mochilas. Nosso ônibus para Trancoso (Águia Azul - R$ 11,00 cada) saiu as 16:00 hs precisamente e em 1:40h já havíamos chegado. Saltamos bem em frente a nossa nova pousada Recanto do Sol (R$ 75,00 o casal – completo com café). Bem mais barato que Caraíva, mas note-se que o primeiro quarto cheirava muito a mofo. Impossível de ficar. Já o segundo não tinha cheiro, mas o ar condicionado precisava de 3 horas para fazer efeito e o café da manhã basicão. Ficaram as saudades dos pães e doces caseiros e dos sucos de mangaba e cupuassu da Maria.

Banho tomado, saímos para passear a noite pelo quadrado de Trancoso, pensando onde comer. Seguindo as recomendações da pousada, caímos na primeira roubada. Não comam no Portinha, mesmo que orientados. Depois de muita dor de barriga e desarranjo, descobrimos que este self-service mudou de dono. Não pertence mais ao mesmo dono do Portinha de Arraial da Ajuda. Eu comentei com minha mulher, assim que entramos que havia muita comida exposta para uma Trancoso bem vazia, mas acabei não me ouvindo. Deu no que deu. Uma noite mal dormida e um dia seguinte com a bala na agulha.

Mesmo duvidando se iríamos conseguir passear sem contratempos intestinais, saímos para andar (6 dia). Visitamos a Igreja de São Benedito no quadrado, descemos para a praia dos Nativos e tocamos em direção ao Rio da Barra, uns 4 kms adiante pela orla. Cruzamos o braço de mangue do Rio Trancoso no fim da maré vazante e chegamos no Rio da Barra, já na maré montante. Ambientes de rio e mar muito especiais. Paramos no quiosque e restaurante Rio da Barra, para descansar da caminhada e tomar uma gelada. Lá conhecemos a Tchara, uma atendente espanhola que ratificou a história do restaurante Portinha. Pedimos uma porção de Bruschetta (torrada com queijo derretido, tomate e orégano) e ficamos ali por algumas horas, até pegarmos o caminho de volta para a pousada. Vencida a distância de 5 kms de areia, sol e travessias nos  canais de maré, vieram o banho e o descanso.

Praia dos Nativos

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Rio da Barra

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A noite, saímos para decidir onde comer e comprar algumas lembranças. Desta vez decidimos jantar no Restaurante da Silvana. Ótima opção. Fica logo no começo do quadrado, do lado direito. Lá encontramos um casal amigo (Alex e Priscila) que conhecemos em Caraíva. Ali encerramos nosso dia.

Amigos no restaurante Silvana

SIlvanaJantar 
Nosso sétimo dia, ainda em Trancoso, dedicamos a andar pela praia dos Coqueiros, em maré bem baixa. Já estávamos em lua cheia, onde este efeito é mais acentuado.

Praia dos Coqueiros

Coqueiros 

Voltamos cedo e fechamos nossa conta. Pegamos o ônibus da Águia Azul (R$ 6,00 cada) e seguimos para Arraial da Ajuda para pegar a balsa para Porto Seguro. Lembre-se que a volta pela balsa é gratuita. Fomos direto para nosso Hotel, o Porto Real (R$ 70,00 completo), bem próximo da Passarela do Álcool e do embarque para o passeio de Recife de Fora. Depois de acomodados, almoçamos no Mirage, bem ao lado (self service mais ou menos). Na dúvida, comemos macarrão e arroz (enfim). Descansamos um pouco e saímos para comprar lembranças e rever a passarela do álcool. Muito diferente de 9 anos atrás. Não arriscamos comer por ali. Antes de dormir, passamos no SubWay e preparamos uns sandubas bem sadios.

Nosso último dia reservamos para rever Recife de Fora e comparar com o que vimos anteriormente.

Logo cedo (7:30h) pegamos o barco e seguimos mar adentro. Trinta minutos depois já desembarcávamos nos arrecifes. Pudemos ver que o cuidado com o pisoteamento  e a reserva de áreas específicas para turismo vem sendo discutido desde o embarque. No local, voluntários não remunerados tratam de orientar os turistas quanto ao comportamento ideal e os objetivos do cuidado. Fazem um trabalho de apresentação da vida marinha, identificando espécimes e descrevendo seu modo de vida. Nesta oportunidade o projeto do qual participavam estes voluntários era o Coral Vivo.

Pudemos verificar que a vida marinha ainda é bem abundante. Muitos peixes mesmo. Grande parte em cardumes, que ficam aprisionados nas piscinas, aguardando a maré.

Recife de Fora.

RecifedeFora 

Aproveitando a tarde, fomos conhecer a parte alta, área histórica de Porto Seguro, seu casario, Igreja, e o marco do descobrimento com uma interessante cronologia da bandeira nacional. Para ver clique aqui.

Porto Seguro - cidade alta

PortoSeguro1 PortoSeguro2

PortoSeguro3 PortoSeguro4

A noite, tratamos de retornar ao Rio de Janeiro. Desta vez pela TAM. Não conseguimos fazer o Chek-in pela WEB, estava com problemas operacionais. Não conseguimos fazer o chek-in de toda a viagem no aeroporto, porque o sistema estava com problemas, de forma que precisamos desembarcar e pegar bagagens na nossa conexão em BH. Já em BH descobrimos que nosso vôo para o Santos Dumont estava cancelado. Mais 2 horas de atraso, pegamos um vôo para o Tom Jobim e por fim, um táxi pago pela TAM para casa. Essa é a TAM.

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Coordenadas Marcadas - Google Earth
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cronologia da Bandeira Nacional Brasileira

Esta sequência de fotos foi feita em Porto Seguro, ao lado do Marco do Descobrimento.
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