sábado, 30 de outubro de 2010

Aiuruoca – trilhas e cachoeiras no sul de Minas Gerais

Finalmente conseguimos nos organizar para conhecer Aiuruoca. Aproveitamos uma janela de bom tempo no final de outubro e colocamos o pé na estrada. Depois de estudar o melhor caminho, optamos por, saindo do Rio, seguir pela BR-040, em direção a Juiz de Fora e pegar a BR-267 em direção a Lima Duarte. Daí foi asfalto bom até Aiuruoca. Atravessamos a cidade e seguimos direto para a pousada Pé da Mata no Vale da Pedra, rodando mais 16 km já em terra em condições razoáveis para um Celta. Fizemos então, um total de 382 km de porta a porta em 5:30 hs.

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A escolha da pousada Pé da Mata foi estratégica. Além dos atrativos do lugar, da qualidade dos serviços oferecidos e da hospitalidade dos proprietários (Elaine e Samir), ficamos localizados junto ao Vale do Matutu, nosso objetivo principal.

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Depois de toda esta estrada, nada melhor que um almoço feito no fogão a lenha pela Lúcia, cozinheira da pousada, na companhia de muitos, mas muitos e diversos pássaros que vivem no vale. Aproveitamos o fim de tarde para descansar e curtir o anoitecer do lugar.


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ia me esquecendo de apresentar o novo integrante de nosso grupo. Um gato Bengal, de nome Fredy, que deve nos acompanhar daqui por diante. Aliás, um mundo novo cheio de cheiros, sons e movimentos que afloraram os instintos desta raça tão especial.

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Na manhã seguinte, tomamos o café da roça, com tudo de bom (queijos, pães variados, bolachas, bolos, frutas, doces, sucos…) e o pãozinho de queijo soltando fumaça. Saímos prontos para conhecer o lugar. Seguimos mais 4 km a frente e fomos conhecer o Casarão do Matutu, onde está instalada a Associação de Moradores e Amigos do Matutu.

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Ali fizemos contato com o Lázaro, guarda florestal responsável pela área do parque e presidente da Associação, para pegar algumas dicas e agendar um guia local no dia seguinte para fazer a trilha da Cachoeira do Fundo. Acertados, seguimos para nosso objetivo inicial, que era a Cachoeira dos Garcia. Rodamos de volta para Aiuruoca e de lá pegamos o asfalto até a saída de terra que leva ao Vale dos Garcia.
Preocupados com as condições da estrada, fizemos algumas perguntas quanto aos 17 km de terra, já que os relatos eram confusos para definir se um carro de passeio baixo conseguiria chegar sem problemas. Os primeiros 8 kms foram razoáveis, exigindo somente paciência. Já os 9 kms seguintes mostraram o porque de nossa preocupação. O piso de terra em boa parte das ladeiras foi calçado com aquelas pedras ‘pé de moleque”, pontudas, afiadas e dispostas aleatoriamente, depois soldadas com saibro e pó de cimento. Ruim para pneus finos, mas adequado para dias de chuva.
na outra série de ladeiras que ainda não estavam tratadas, estas terríveis pedras estavam jogadas no chão, completamente soltas. O fluxo de veículos fez com que elas se amontoassem no centro da pista, curiosamente em pé, batendo no protetor de carter e no fundo do carro impiedosamente. Já que estava ali e na metade do percurso, a gente foi seguindo, na perspectiva de que deve melhorar. Engano. Foi assim até a saída a esquerda para o último trecho (1,5km) em descida para chegar a cachoeira. Este pedaço tinha valas erodidas pela chuva, fundas o suficiente para engolir toda a roda do carro. Fomos dividindo a pista com cautela e muita paciência, lembrando que ainda havia a volta.

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Cachoeira dos Garcia
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Cachoeira imponente e de características particulares. Merece um retorno em dia de sol pleno, para algumas horas de mergulhos e hidros. Desta vez num carro alto ou num 4x4. As coordenadas GPS deste passeio estão no fim do post.
A volta foi mais difícil que a vinda. O protetor de carter foi empurrado em direção ao escapamento. Ferro com ferro na vibração do piso de pedras e costelas deixou as coisas bem claras e sonoras. Não force a barra com seu carro de passeio. Também não pense em encontrar em Aiuruoca alguém para levar você até os Garcia facilmente. Mais adiante explico porque.
O tempo estava fechando. A chuva rodava na região mas não queria cair (sobre nós). Retornamos a Aiuruoca e fomos procurar informações na Casa de Cultura. Queríamos conhecer as Cachoeiras do Divino e Deus me Livre com um guia local. Fomos muito bem recebidos. O funcionário que nos atendeu sugeriu procurar a AJURU Turismo. Deixamos bem claro que esta opção estava fora de questão (explico mais adiante).
Fizemos contato com o guia Carlos (35 9983-2217), da Horizonte Vertical. Com uma prontidão de fazer inveja, o Carlos se colocou a disposição imediatamente. Pegamos o carro e fomos buscá-lo. Seguimos em direção ao Vale do Matutu. Após 5 km de terra, deixamos o carro e iniciamos nossa trilha direto para a Cachoeira do Divino (o nome vem de um antigo morador do local). Trilha leve percorrida em 30 minutos até alcançar a cachoeira.

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Cachoeira do Divino
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Retornamos pela mesma trilha e fomos conhecer a Cachoeira Deus me Livre (o nome vem da grande dificuldade de acesso ao local, antigamente). Toda a trilha é muito bonita proporcionando sempre uma boa foto.
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Cachoeira Deus Me Livre
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Mesmo sem sol, aproveitamos muito as duas cachoeiras. A tal chuva que nos rodeava decidiu cair. Foi a conta de descermos a trilha e pegar a estrada de terra, para deixar nosso guia novamente em casa. O temporal desceu com força e muitos ventos. Fizemos os 16 kms até a nossa pousada desviando de grandes galhos lançados na estrada. Pegamos o pior da tempestade ainda em Aiuruoca. Quando chegamos ao chalé, o pior já havia passado. Até granizo caiu.
era fim de tarde e nossa fome muito grande. Foi o tempo de tomar um banho e sentar a mesa para um almoço ajantarado bem mineiro. Daí pra frente´foi esperar a noite cair e o sono chegar.
As coordenadas GPS deste passeio estão no fim do post.

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Acordamos com a difícil tarefa de decidir o que comer na farta mesa de café da manhã. Cumprido este ritual, seguimos para o Vale do Matutu para encontrar o guia, que nos levaria até a Cachoeira do Fundo. No caminho pudemos ver parte do que o temporal de ontem produziu.

Araucaria_temporal
Na Associação dos Moradores, encontramos novamente com o Lázaro, que apresentou nosso guia Xairon. Um rapaz da comunidade com 15 anos de idade, que estuda em Juiz de Fora e passa os fins de semana com a família no vale. O cuidado na nossa condução e a atenção dispensada durante toda a trilha, alertando para raízes, espinhos, ajudando a transpor pedras e riachos foi o destaque. Em muitas de nossas viagens, lançamos mão de guias locais e quase sempre ficamos felizes com a escolha. Mas este menino é especial.
Pois bem, coletamos alguma água e iniciamos a subida para a Cachoeira do Fundo as 10:10h da manhã. As 11:40 chegamos ao nosso destino, incluindo muitas paradas para fotos.

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A meio caminho passamos na Cachoeira do Meio.
Cachoeira_do_meio
Continuando na trilha, agora entre arbustos de samambaias secas, já podemos avistar a cachoeira ao fundo.

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Cachoeira do Fundo
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Agora na base da cachoeira, com nosso guia Xairon.
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Após aproveitar a água fria, as hidros e o poço, retornamos para conhecer a Cachoeira Arco-íris, a meio caminho de volta. Também muito bonita. A trilha de descida para o poço é bem íngreme, mas nada sério. Sempre há uma raiz ou tronco para apoio. Vale a pena esta esticada de 15 minutos. Na trilha de volta, fizemos contato com uma Jararaca fechando a trilha, aquecendo o corpo na pedra após uma noite chuvosa. Com muito cuidado, espantamos a cobra para o mato e seguimos nosso caminho.
Cachoeira Arco-Íris
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Encerramos o dia com uma noite de caldos oferecida pela ELaine. Abrimos um bom vinho e levamos a prosa até onde o sono permitiu.
As coordenadas GPS deste passeio estão no fim do post.
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Novo dia e, como o tempo exigiu, abortamos a subida ao Pico do Papagaio ou ao Morro Cabeça de Leão. Por sugestão do Lázaro, ficamos em baixo, e fomos conhecer o Poço das Fadas, bem próximo da Associação.

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Poço das Fadas
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As coordenadas GPS deste ponto estão no fim do post.
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Aiuruoca quer dizer “ninho do papagaio” em tupi. O papagaio nativo desta região era o Cabeça Roxa, que não existe mais. Contudo, o local ainda é habitado por inúmeros pássaros, transformando o amanhecer, o entardecer e quase todo o dia num redescobrir de pios e cantos infinito. Aiuruoca e o Pico do Papagaio fazem parte da Serra da Mantiqueira, na sua porção norte. O vale é abastecido pelo Ribeirão Água Preta. Conta-se por lá que ainda existem onças e felinos menores. No vale do Matutu já foram identificadas 293 espécies de aves e este número ainda via crescer.
As árvores nativas são a Araucária (em processo de replantio de 5 mil mudas ao ano), o guatumbu, cedro, jacarandá, pitanga e ipê.
Com minha modesta câmera fotográfica, registrei o que pude de alguns dos representantes plumados.
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Os poucos registros que fiz dos muitos papagaios e maritacas não prestaram por conta do contraste com o céu. Os encontros são muito barulhentos e sugerem um aglomerado grande de aves.
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Comentários:
Ajuru – Este nome aparece na Internet como pousada e agência de turismo em Aiuruoca. Não vou discorrer sobre o pousada porque não me hospedei lá. Não o faria, mesmo porque, fica na beira da estrada, na entrada da cidade, sem qualquer integração com a natureza.
Com relação a agência que oferece suporte de guias e promove passeios para todos os atrativos da região, posso sim falar. Antes de nos deslocarmos para Aiuruoca, já havíamos contratado a Ajuru para nos conduzir até o Vale dos Garcia. Como no dia não houve quórum, desistimos por conta do alto valor resultante para um único casal, mesmo sendo um passeio programado.
Como relatei no início do post, fomos com nosso próprio carro (de passeio), baseados na orientação da AJURU de que dava bem pra passar. Como quase quebramos no caminho, pedimos socorro a eles, por celular, aceitando a tarifa plena, tudo para não perder a oportunidade. Tudo combinado, ficamos aguardando a meio caminho dos Garcia, a chegada da Kombi da AJURU. Depois de muito esperar e de varias ligações truncadas de celular, resolvemos completar o passeio na cara e na coragem por nossa conta. Na volta, passamos na AJURU para saber o que havia acontecido. Porque haviam nos deixado sem apoio?
Acredito que você pode visualizar bem, aquele atendente que não olha nos seus olhos e que não larga o telefone, tentando falar com alguém que não existe. Por fim disse que não foi até nós, mesmo depois de contratado a preço CHEIO, porque o carro estava envolvido em outro atendimento e que o celular não estava completando a ligação.
Este é um caso para virar as costas e esquecer, pelo menos para nós. Mas para vocês que vão ler este post, fica nossa experiência como alerta.

Turismo na Região – as trilhas, os acessos para as cachoeiras, as placas, enfim, quase nada ajuda ao turista na hora de conhecer os atrativos da região. E são muitos os atrativos!
O único esforço organizado para dar suporte ao visitante está no Vale do Matutu, através da Associação de Moradores e Amigos do Matutu, onde podemos conseguir orientações e guias locais. Dentro de Aiuruoca, na casa de Cultura, a primeira opção é a AJURU, que não atende. Já as estradas que levam as pousadas e aos atrativos precisam de muita atenção.
_ De que vive Aiuruoca? Produção de leite em decadência.
Hoje o turismo é importante (vide o grande número de pousadas disponível). Conheci inúmeros casos de visitantes que chegaram e saíram sem conhecer nada, dada a incapacidade de condução do turismo pelo órgão executivo da prefeitura e da falta de união dos empresários. Estes turistas não voltam e não propagam boas referências. Na opinião do Samir e da Elaine (donos da Pé da Mata), muito se pode fazer mesmo com inciativas privadas, mas a ausência de liderança e vontade política impede que as ideias sejam ao menos discutidas.
Vamos voltar - Nós vamos voltar a Aiuruoca porque somos persistentes e exigentes. Ainda vamos fazer a trilha do Pico do Papagaio e do Morro Cabeça do Leão, abaixo e aproveitar melhor a Cachoeira dos Garcia.
 
Pido do Papagaio Cabeca do Leao
E se possível, esperamos encontrar um quadro mais positivo. Aiuruoca é especial e merece mais cuidado dos políticos.

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Coordenadas marcadas por GPS de todas as trilhas e atrativos de Aiuruoca visitados por nós – Baixe aqui - Google Earth
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13 comentários:

Ana disse... [resposta]

Adorei este blog sobre Aiuruoca. Vou sempre para lá, mas desconheço alguns destes lugares.
Este final de semana estive lá e conheci a cachoeira do Joaquim Bernardo, é maravilhosa também.

Anônimo disse... [resposta]

Encontrei este blog do nada e adorei.Fiquei até emocionada porque o Matutu foi dos meus
avós e depois ficou para meu tio solteirão Geraldo e que ao falecer deixou toda a fazenda para os irmãos.E como eram muitos, preferiram vender para Guilherme e que mais tarde tornou essa associação. A casa antiga do vale do Matutu ainda é a mesma. Eles preservaram, que saudades...nunca mais voltei ai.Parabéns pelo seu blog, lindíssimo. Amo a natureza.Sou também prima de Samir. Moro em Baepemdi.

Carlos Roberto Paiva disse... [resposta]

@AnaQue bom Ana. Estamos pra retornar a Aiuruoca para rever com mais calma alguns pontos e aproveitar melhor o lugar. Abs

Carlos Roberto Paiva disse... [resposta]

@AnônimoQue ótimo que você nos achou. Gosto de escrever para manter a lembrança acesa e me auto motivar a retornar para rever e aproveitar melhor alguns locais. Aiuruoca, com certeza, é um deles. Você não disse seu nome. Abs. Carlos

Anônimo disse... [resposta]

Fiquei tão emocionada com as fotos que esqueci de colocar meu nome.Luzia Maciel
. Já me cadastrei no seu site. (ziamaciel@yahoo.com.br)

Carlos Roberto Paiva disse... [resposta]

@AnônimoPrazer Luzia. Em breve lá vamos de novo. Abs

Patricia Cuyumjian disse... [resposta]

Olá! Sou a Patrícia, e estou escrevendo em meu blog de viagens sobre Aiuruoca, e vim conhecer o seu! Também adorei Aiuruoca, e tive o mesmo problema com o tempo que não nos deixou subir ao Papagaio. Voltarei com esse objetivo numa época de frio e seca! Abs

Carlos Roberto Paiva disse... [resposta]

@Patricia Cuyumjian Oi Patrícia. Voltamos lá em agosto passado, para aproveitar melhor a Cachoeira dos Garcia e de lá seguimos para Carrancas, pela Estrada Real. Vale a pena este roteiro. Muito especial. Já postei o relato no blog. Mande o endereço de seu blog para ver suas impressões sobre Aiuruoca. Obg pela visita.

Luzia Maciel disse... [resposta]

Oi Carlos Roberto, estive em Aiuruoca e no Matutu em setembro. Matei a saudades.A casa está do mesmo jeito, até o fogão de lenha é o mesmo da época de meu tio Geraldão.Relembrei minhas andanças por lá quando criança, íamos visitar meu tio.Aquele pedaço de chão tem uma parte da história da família de meu pai e me trás lembranças.Qualquer dia te apresento a cachoeira que tenho no meu sítio em Baependi e que também tem cachoeiras lindíssimas, estou fazendo algumas reformas para entrar para o ramo de turismo rural.Um abraço pra você e esposa.

Carlos Roberto Paiva e Gleidys Cantini disse... [resposta]

@Luzia Maciel Olá Luzia. Estamos muito curiosos para conhecer seu sítio e seu novo projeto de vida. Mande notícias. Grande abraço. Carlos e Gleidys

Fabio FliessBo disse... [resposta]

Bom dia Carlos.
Acabei de voltar de Aiuruoca, e como você, adorei a região.
Visitei algumas cachoeiras e, através de um morador, fiquei sabendo da cachoeira do Divino! O acesso para a cachoeira é atrás daquela casa abandonada que aparece em uma das fotos que vocês publicaram no post???
Obrigado e parabéns pelo blog.
Abraços.

Carlos Roberto Paiva e Gleidys Cantini disse... [resposta]

@Fabio FliessBo Olá Fabio. Obg pelas palavras sobre o blog. Isso mesmo. Seguimos atrás da casa pela trilha. Abs e boas trilhas. No fim do post coloco os pontos com as coordenadas, para que vc possa ver por vista aérea, a localização das trilhas e das cachoeiras. Baixa o arquivo e abre no Google Earth. Abs

Tati e Ari disse... [resposta]

Puxa que legal esse blog...Meu marido e eu estamos em busca de um ecoturismo e pensamos nem Aiuruoca e estamos de fato resolvendo esse destino...Vamos acampar por isso precisamos escolher bem...Amei o lugar e espero que logo eu esteja postando o retorno de Aiuruoca....Iuuuppppiii

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