sexta-feira, 10 de março de 2000

Ilha Grande - 2000


Esta semana na Ilha Grande foi planejada para ser feita por trilhas e acampamentos, percorrendo toda a ilha. Fizemos uma programação baseada no circuito anti-horário, diferente do que normalmente é feito. No mapa abaixo está desenhado o circuito que realizamos com início e fim na Vila do Abraão. Em vermelho as trilhas que fizemos a pé, em roxo as incursões que fizemos após montar acampamento, em amarelo foram as partes que fizemos embarcados e os círculos em magenta, os acampamentos com pernoite.
Lembro que estamos falando do ano de 2000. Hoje este circuito não é mais possível, por conta dos impedimentos para camping e do bloqueio de algumas praias.


Nossa estratégia previa levarmos tudo que fosse necessário, incluindo comida, para todos os dias. Não tínhamos certeza de onde poderíamos reabastecer. Portanto, nossa carga foi mais do que a necessária, mesmo assim, muito bem arrumada dentro de 2 mochilas (obra da minha mulher).










Após conhecer as ruínas do aqueduto e a cachoeira Véu da Noiva, fizemos nossa primeira trilha­, acampando em Saco do Céu. Afinal já havíamos andado bem na parte da manhã.
Começamos o segundo dia descansados para a trilha mais incomum (não é informada nas pesquisas). Com partes quase sem marcação, confiamos no instinto e no senso de direção, até chegarmos em Bananal.
 
  
 
 








Em Bananal negociamos um barco e fomos conhecer Lagoa Azul para uns mergulhos e relaxar da trilha, que foi tensa pelas incertezas de rumo. Não tínhamos GPS nesta época.  Daí seguimos de barco até Ubatubinha, pensando em acampar por lá. Não sabíamos que era um reduto de ricos, com seus lanchões, onde até um bom veleiro era considerado coisa de favela. Diante do rechaço que sentimos, colocamos as mochilas e seguimos adiante, até Praia Longa, onde encontramos paz para o camping, que fizemos mesmo na praia.
Na manhã seguinte partimos para o 3 dia de trilha, com destino para Praia Grande de Araçatiba, onde fomos muito bem recebidos pelos locais. Acampamos dentro do quintal de um morador, em frente a praia, com acesso a prato feito, banheiro e bom papo.
  







Aproveitamos o dia e fomos conhecer a Gruta do Acaiá, livres de peso. Não sabíamos, mas é uma subida bem puxada até a entrada da gruta e sob sol bem quente. Depois de nos espremermos para ir até o fundo da gruta e ver o mar azul, alguns metros abaixo da superfície, começamos a pensar na volta, porque toda descida acaba em subida. Por sorte ou simpatia, fizemos amizade com uma família que estava ali de veleiro, que nos rendeu uma carona até Araçatiba. Pena não recordar mais os nomes das pessoas.
Fomos dormir, para começar cedo o dia seguinte. Aliás, era essa a nossa proposta. Caminhar sempre bem cedo, para ter margem de manobra diante de qualquer imprevisto. Seguimos então com destino a Provetá, onde fizemos uma visita rápida e tomamos o rumo de Aventureiro, para nosso próximo acampamento e pernoite. Vale ressaltar o inferno que as cigarras fazem no meio do mato. De fato chegam a incomodar. Em Aventureiro, montamos barraca e fomos aproveitar o sol, o mar e o por do sol.









Mais uma vez, bem cedo, seguimos para nosso  5 dia de trilha, cruzando o costão, que dá acesso a Praia do Sul, o mangue e a Praia do Leste (esta área está hoje toda fechada para visitação). Antes de começar a trilha que sobe para Parnaióca, encontramos uma casal francês fazendo naturismo, naquela paz que acabamos interrompendo, mas muito brevemente.









Em Parnaióca, montamos novamente nosso acampamento. Fomos muito bem recebidos por um casal de locais, que nos arranjou espaço para nossa barraca e nos serviu um prato feito inesquecível, preparado no fogão a lenha (sabemos que hoje, esta área de camping foi desmontada pelo IBAMA). Depois de banhos de mar e muita prosa, dormimos pensando no dia seguinte, com destino para Dois Rios.
Retomamos a caminhada, já em nosso 6 dia. Após a trilha, entramos em Dois Rios, passamos pelas ruínas do Presídio e fomos conhecer Cachadaço. Uma praia pequena mas muito especial, com acesso bem complicado por conta da erosão na trilha. Lá ,depois de apreciar bastante o local, negociamos com um barqueiro o traslado até Lopes Mendes.









Chegamos a Lopes Mendes com dificuldades para não molhar as mochilas e nossos equipamentos. O barco nos deixou pouco antes da arrebentação. Com a manha de quem nasceu na praia chegamos bem, aproveitando o surf das marolas. Curtimos a praia e no meio da tarde pegamos a trilha que nos levaria até Palmas, onde faríamos nosso último acampamento.









A última trilha, que nos levaria de volta a Vila do Abraão, não tinha tantos atrativos. Decidimos então embarcar e fazer o contorno pelo litoral passando por Abraãozinho e dái chegar ao nosso ponto de partida, onde deixamos algumas de nossas coisas, no Camping do Palmas. Amigo de quem me afastei a muitos anos atrás, na época do paraquedismo. Foi juiz e checador em muitas das minhas provas de qualificação e campeonatos na década de 80/90.









Aproveitamos o tempo que ainda tínhamos antes de retornar ao Rio, relembrando tudo que havíamos experimentado nestes dias.
Curiosidade:  aqueles que gostam de cerveja (bem gelada) fiquem tranquilos. Mesmo nos locais aonde não havia luz elétrica, os geradores mantinham muitas garrafas prontas para consumo na temperatura ideal. Não passei necessidade momento algum. Imagine terminar uma trilha pesada e quente, sem poder desfrutar de uma gelada?

Para obter o mapa da trilha em alta resolução, clique neste link e faça o download para sua máquina.
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